Sofreu uma fratura e tem viagem marcada? Essa é uma dúvida mais comum do que parece. Milhares de passageiros precisam viajar de avião com braço ou perna engessados todos os anos no Brasil, e a boa notícia é que, na grande maioria dos casos, é possível embarcar normalmente — desde que você siga algumas regras e providências obrigatórias.
Neste guia completo, explicamos tudo o que você precisa saber: o que a ANAC exige, quais companhias pedem atestado médico, dicas práticas para o embarque e o que fazer se a companhia aérea recusar seu embarque injustamente.
O Que Diz a ANAC Sobre Viagem com Gesso
A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), por meio da Resolução nº 280/2013 e da Resolução nº 400/2016, regulamenta o transporte de passageiros com necessidades especiais, incluindo aqueles com imobilizações ortopédicas (gesso, tala ou bota imobilizadora).
Segundo a regulamentação da ANAC:
- É permitido viajar de avião com gesso, desde que o passageiro atenda às condições de segurança exigidas pela companhia aérea
- A companhia pode solicitar o preenchimento do formulário MEDIF (Medical Information Form) para avaliar as condições de saúde do passageiro
- Para voos com duração superior a 2 horas, pode ser exigido que o gesso seja bivalvado (aberto/valvulado) para evitar problemas circulatórios causados pela pressão da cabine
- Se a fratura for em membro inferior, pode ser necessária a compra de assento extra para manter a perna estendida
- A companhia aérea não pode recusar o embarque sem justificativa médica documentada
Quais Companhias Exigem Atestado Médico
Cada companhia aérea tem suas próprias regras sobre o embarque de passageiros engessados. Confira o que cada uma exige:
| Companhia | Atestado Médico | MEDIF | Prazo de Envio | Observações |
|---|---|---|---|---|
| GOL | Sim, obrigatório | Sim, para voos acima de 2h | 48h antes do voo | Gesso deve estar bivalvado para voos longos |
| LATAM | Sim, obrigatório | Sim | 72h antes do voo | Atestado deve constar tipo de fratura e aptidão para voo |
| Azul | Sim, obrigatório | Sim, para voos acima de 3h | 48h antes do voo | Desconto de até 80% para acompanhante se necessário |
O que deve constar no atestado médico
Para evitar problemas no embarque, o atestado médico deve conter:
- Nome completo do paciente e número do documento
- Tipo de fratura e localização (ex.: fratura de rádio distal em membro superior direito)
- Data da fratura e procedimento realizado
- Declaração de aptidão para voo: o médico deve atestar que o paciente está apto a viajar de avião
- Se o gesso foi bivalvado (quando aplicável)
- Necessidade de assento extra (para fraturas em membros inferiores)
- CRM do médico, data e assinatura
Dicas Práticas para Viajar de Avião com Gesso
Antes da viagem
- Avise a companhia aérea com antecedência: Entre em contato pelo menos 48 a 72 horas antes do voo para informar sua condição e enviar a documentação
- Consulte seu médico: Peça orientação sobre bivalvar o gesso e obtenha o atestado de aptidão para voo
- Solicite assistência especial: As companhias oferecem cadeira de rodas, embarque prioritário e auxílio para passageiros com mobilidade reduzida — tudo gratuitamente
- Compre assento extra se necessário: Para fraturas em perna ou tornozelo, o assento extra permite manter o membro elevado durante o voo
No dia do embarque
- Chegue com antecedência extra: Pelo menos 2h30 para voos domésticos e 3h30 para internacionais
- Leve toda a documentação em mãos: Atestado médico, MEDIF preenchido, protocolo de solicitação de assistência especial
- Use roupas confortáveis e largas: Fácilita a movimentação e o conforto durante o voo
- Peça assento no corredor: Fácilita a ida ao banheiro e permite esticar o membro com mais fácilidade
- Leve medicamentos na bagagem de mão: Analgésicos, anti-inflamatórios e qualquer medicação prescrita
Durante o voo
- Mantenha o membro elevado quando possível: Reduz o inchaço causado pela pressão da cabine
- Movimente os dedos regularmente: Estimula a circulação sanguínea
- Hidrate-se bastante: Beba água regularmente para evitar desidratação, que pode agravar o inchaço
- Evite cruzar as pernas: Mesmo que apenas um membro esteja engessado
- Comunique qualquer desconforto à tripulação: A equipe de bordo é treinada para lidar com situações médicas
Riscos de Saúde ao Voar com Gesso
Voar com gesso envolve riscos específicos que precisam ser considerados:

Síndrome compartimental
A pressão atmosférica na cabine do avião é equivalente a uma altitude de 1.800 a 2.400 metros. Essa diferença de pressão pode causar inchaço no membro imobilizado, e o gesso fechado pode comprimir tecidos e vasos sanguíneos. Por isso, bivalvar o gesso é essencial para voos longos.
Trombose Venosa Profunda (TVP)
A imobilização prolongada combinada com a pressão da cabine aumenta o risco de trombose, especialmente em fraturas de membros inferiores. Converse com seu médico sobre a necessidade de:
- Uso de meias de compressão no membro não engessado
- Exercícios de movimentação dos dedos e tornozelo
- Eventual uso de anticoagulante profilático para voos longos
Seus Direitos se a Companhia Recusar o Embarque
Se você cumpriu todas as exigências (atestado médico, MEDIF, gesso bivalvado) e mesmo assim a companhia aérea recusar seu embarque, saiba que isso pode configurar prática abusiva e discriminatória.
Seus direitos nessa situação:
- Exija a justificativa por escrito: A companhia é obrigada a documentar o motivo da recusa
- Solicite a Declaração de Contingência: Documento que comprova a recusa de embarque
- Registre reclamação na ANAC: Acesse gov.br/anac para registro formal
- Você pode ter direito a indenização: A recusa injustificada de embarque de passageiro com mobilidade reduzida pode gerar indenização por danos morais de R$ 5.000 a R$ 20.000, além de danos materiais
A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) proíbe qualquer forma de discriminação contra pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, inclusive no transporte aéreo. A recusa de embarque sem justificativa médica válida pode gerar responsabilização civil e administrativa da companhia.
Gesso no Braço vs. Gesso na Perna: Diferenças para o Voo
| Aspecto | Gesso no Braço | Gesso na Perna |
|---|---|---|
| Assento extra | Geralmente não necessário | Recomendado ou obrigatório |
| Bivalvar o gesso | Para voos acima de 3-4 horas | Obrigatório para qualquer voo |
| Risco de TVP | Baixo | Moderado a alto (conversar com médico) |
| Cadeira de rodas | Geralmente não necessária | Frequentemente utilizada |
| Melhor assento | Corredor (lado oposto ao gesso) | Corredor na primeira fileira (mais espaço) |
Alternativas ao Gesso Tradicional para Voar
Se você tem uma viagem marcada e sofreu uma fratura, converse com seu médico sobre alternativas ao gesso tradicional que fácilitam a viagem de avião:
- Bota imobilizadora: Para fraturas no pé ou tornozelo, é removível e permite melhor circulação
- Tala de fibra de vidro: Mais leve que o gesso convencional e pode ser ajustada mais fácilmente
- Gesso sintético: Mais leve, resistente à água e permite melhor ventilação — ideal para viagens
- Órtese removível: Para fraturas mais estáveis, permite retirada durante o voo se autorizado pelo médico
Perguntas Frequentes
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O Formulário MEDIF: Passo a Passo para Preenchimento
O MEDIF (Medical Information Form) é um documento padronizado internacionalmente que as companhias aéreas utilizam para avaliar se um passageiro com condição médica está apto para o voo. Esse formulário é preenchido em duas partes: uma pelo passageiro e outra pelo médico responsável.
Parte do passageiro
Na primeira seção do MEDIF, o passageiro deve fornecer informações pessoais básicas como nome completo, data de nascimento, número do documento de identidade e dados do voo (número, data, origem e destino). Também é necessário descrever brevemente a condição médica e indicar se precisará de equipamentos especiais, cadeira de rodas, oxigênio suplementar ou acompanhante.
Parte do médico
O médico deve preencher a seção clínica com informações detalhadas sobre o diagnóstico, o tipo de imobilização aplicada (gesso, tala, bota imobilizadora), a data do procedimento e uma declaração explícita de que o paciente está clinicamente apto para realizar a viagem aérea. O médico também deve informar se o gesso foi bivalvado e se há necessidade de posição específica durante o voo (como manter a perna elevada).
Onde obter o formulário
O MEDIF está disponível no site de cada companhia aérea, geralmente na seção de “Necessidades Especiais” ou “Assistência Médica”. Você também pode solicitar o documento ligando para a central de atendimento da companhia. Após preenchido pelo médico, o formulário deve ser enviado à companhia aérea dentro do prazo estipulado — geralmente 48 a 72 horas antes do voo.
Custos Adicionais ao Viajar com Gesso
Além do valor da passagem, o passageiro engessado pode ter custos adicionais que é importante conhecer previamente para se planejar financeiramente:
- Assento extra para membro inferior: A companhia pode exigir a compra de um segundo assento para que o passageiro mantenha a perna estendida durante o voo. Algumas companhias oferecem desconto de até 80% nesse assento adicional para passageiros com necessidades especiais médicas
- Atestado médico e MEDIF: O custo da consulta médica para obtenção do atestado e preenchimento do MEDIF varia conforme o profissional. Em consultas particulares, espere pagar entre R$ 150 e R$ 400. Alguns planos de saúde cobrem essa consulta se vinculada ao tratamento da fratura
- Procedimento de bivalvar o gesso: O ortopedista pode cobrar uma taxa adicional pelo procedimento de abertura do gesso, embora muitos profissionais realizem sem custo extra quando vinculado ao tratamento da fratura
- Cadeira de rodas e assistência: A utilização de cadeira de rodas no aeroporto e o embarque prioritário são gratuitos por determinação da ANAC. A companhia aérea não pode cobrar por esse serviço
- Transporte de muletas e bengalas: O transporte de equipamentos de auxílio à mobilidade (muletas, bengalas, andadores) na cabine de passageiros é gratuito e a companhia não pode recusar o embarque desses itens
Experiência Real: Viajando com Gesso no Braço pela Primeira Vez
Para dar uma perspectiva prática de como funciona a viagem com gesso, compartilhamos a experiência de uma passageira que viajou de São Paulo para Florianópolis pela Azul com o braço direito engessado após uma fratura no punho.
O que ela fez antes do voo
Três dias antes da viagem, a passageira entrou em contato com a Azul pelo telefone para informar sobre a condição médica. A atendente orientou o envio do atestado médico e o preenchimento do MEDIF, que foram enviados por e-mail para o setor de assistência especial da companhia. A confirmação de que o embarque estava autorizado veio por e-mail em menos de 24 horas.
No dia do embarque
A passageira chegou ao aeroporto com 2 horas de antecedência, como recomendado. No balcão de check-in, apresentou o atestado médico e o comprovante de autorização. O atendente alocou um assento no corredor para fácilitar a movimentação. Durante o embarque, ela teve prioridade (embarque preferêncial junto com idosos e gestantes).
Durante o voo
O voo de 1h20 transcorreu normalmente. A tripulação perguntou se ela precisava de alguma assistência e ofereceu ajuda para guardar a bagagem de mão no compartimento superior. A passageira relata que o principal desconforto foi a dificuldade para abaixar a mesinha, o que foi resolvido pedindo ao passageiro ao lado para ajudá-la a levantar quando precisou usar o banheiro.
Dicas que ela compartilhou
- Levar uma bolsa transversal em vez de mochila (mais fácil de carregar com um braço só)
- Usar calçados fáceis de tirar na inspeção de segurança (sem cadarço)
- Pedir ajuda à equipe de terra para colocar itens na esteira do raio-x
- Levar snacks na bagagem de mão (abrir embalagens com uma mão é desafiador)
- Ter documentos em bolso de fácil acesso para não precisar abrir bolsas
Viagens Internacionais com Gesso: Regras Extras
Para voos internacionais, as regras são mais rigorosas e há detalhes adicionais importantes a considerar:
Duração do voo
Voos internacionais são tipicamente mais longos, o que aumenta significativamente os riscos de problemas circulatórios. Para voos acima de 4 horas, o procedimento de bivalvar o gesso é práticamente obrigatório em todas as companhias. Para voos acima de 8 horas, como Brasil-Europa, o médico pode recomendar inclusive anticoagulante profilático.
Regulamentação internacional
Além das regras brasileiras da ANAC, as companhias aéreas internacionais seguem as diretrizes da IATA (International Air Transport Association). As regras da IATA sobre transporte de passageiros com condições médicas são mais detalhadas e podem exigir documentação adicional, especialmente para voos com escalas em países diferentes.
Seguro viagem
Se você está viajando com gesso para o exterior, verifique se o seu seguro viagem cobre complicações relacionadas à fratura durante a viagem. Informe a condição preexistente (fratura) ao contratar o seguro para garantir cobertura em caso de emergência.
Medicamentos na bagagem de mão
Leve todos os medicamentos prescritos (analgésicos, anti-inflamatórios, anticoagulantes) na bagagem de mão com a receita médica. Para voos internacionais, a receita deve estar em inglês ou no idioma do país de destino. Alguns países podem exigir declaração médica traduzida para permitir a entrada com determinados medicamentos controlados.
Bota Imobilizadora: Uma Alternativa Mais Prática para Voar
Se a fratura permite o uso de bota imobilizadora em vez de gesso, essa pode ser uma opção muito mais prática para viagens aéreas. A bota imobilizadora é uma órtese removível que estabiliza o tornozelo e o pé, proporcionando proteção similar ao gesso, mas com vantagens significativas para viajantes:
- Removível para inspeção de segurança: Facilita a passagem pelo raio-x no aeroporto
- Permite ajuste de pressão: Pode ser afrouxada durante o voo para compensar o inchaço causado pela altitude
- Mais leve e confortável: Peso significativamente menor que o gesso convencional
- Não precisa ser bivalvada: Elimina a necessidade do procedimento de abertura, já que é naturalmente ventilada
- Pode reduzir exigências das companhias: Algumas companhias consideram a bota imobilizadora menos restritiva que o gesso e podem simplificar a documentação exigida
Converse com seu ortopedista sobre a possibilidade de usar bota imobilizadora em vez de gesso, especialmente se a viagem está próxima. A decisão depende do tipo de fratura, do estágio de recuperação e da avaliação clínica do médico.
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